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Parnasianismo 1882 - 1893

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O Parnasianismo faz parte das escolas realistas, de origem francesa, que como o Realismo e o Naturalismo, sucederam-se ao Romantismo.

Cronologia: 1882 – publicação de Fanfarras, de Teófilo Dias (início); 1893 – início do Simbolismo no Brasil (término)

O Parnasianismo estava excessivamente comprometido com a busca da perfeição técnica da obra de arte, isto é, o estilo que melhor exemplifica a idéia de literatura como trabalho de linguagem, explorada pelos modernistas ao longo do século XX.

Características do Parnasianismo
- a preferência pelas formas poéticas fixas e regulares, como por exemplo, o soneto, com esquemas métricos, rítmicos e rímicos sofisticados e tradicionalistas;
- o purismo e o preciosismo vocabular e lingüístico, com o predomínio de termos eruditos, raros e visando à máxima precisão; e também de construções sintáticas e poéticas refinadas;
- a tendência descritivista, buscando o máximo de objetividade na elaboração do poema e assim separando o sujeito criador do objeto criado;
- o destaque ao erotismo e à sensualidade feminina;
- as referências à mitologia greco-latina;
- o esteticismo, a depuração formal, o ideal da “arte pela arte”;
- a visão da obra como resultado do trabalho, do esforço do artista, que se coloca como um técnico do verso perfeito.

Parnasianismo no Brasil
Essa escola surge ligada ao processo de consolidação da vida literária no país. Um dos centros irradiadores das idéias modernas era a Faculdade de Direito do Recife, liderada pelo pensador e ensaísta Tobias Barreto, que trabalhava com a cultura alemã, o direito moderno e o então chamado modernismo filosófico-científico.
Uma época de grandes historiadores – Joaquim Nabuco e Capistrano de Abreu; o grande orador – Rui Barbosa e escritor mais festejado – Machado de Assis, um dos fundadores da ABL (Academia Brasileira de Letras).

Nem sempre os nossos poetas parnasianos seguiram com total fidelidade os cânones do estilo. Olavo Bilac, o mais popular de todos, produziu poemas de sensibilidade romântica.

Autores e obras:
Alberto de Oliveira. Obras principais: Meridionais (1884), Versos e Rimas (1895), Poesias (1900), Céu, Terra e Mar (1914), O Culto da Forma na Poesia Brasileira (1916).
Raimundo Correia. Obras principais: Primeiros Sonhos (1879), Sinfonias (1883), Versos e Versões (1887), Aleluias (1891), Poesias(1898).
- Olavo Bilac. Obras principais: Poesias (1888), Crônicas e novelas (1894), Crítica e fantasia (1904), Conferências literárias (1906),Dicionário de rimas (1913), Tratado de versificação (1910), Ironia e piedade, crônicas (1916), Tarde (1919).
- Francisca Júlia. Obras principais: Mármores (1895), Livro da Infância (1899), Esfínges (1903), Alma Infantil (1912).
- Vicente de Carvalho. Obras principais: Ardentias (1885), Relicário (1888), Rosa, rosa de amor (1902), Poemas e canções, (1908), Versos da mocidade (1909), Páginas soltas (1911), A voz dos sinos, (1916).

Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia – a famosa tríade parnasiana brasileira. Vicente de Carvalho, o “poeta do mar” e Francisca Júlia, considerada a voz poética parnasiana mais próxima da impassibilidade pretendida pelos defensores do estilo, conforme o poema a seguir.

Musa Impassível - Francisca Júlia

Musa! um gesto sequer de dor ou de sincero
Luto jamais te afeie o cândido semblante!
Diante de Jó, conserva o mesmo orgulho; e diante
De um morto, o mesmo olhar e sobrecenho austero.
Em teus olhos não quero a lágrima; não quero
Em tua boca o suave e idílico descante.
Celebra ora um fantasma anguiforme de Dante,
Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero.
Dá-me o hemistíquio d'ouro, a imagem atrativa;
A rima, cujo som, de uma harmonia crebra,
Cante aos ouvidos d'alma; a estrofe limpa e viva;
Versos que lembrem, com seus bárbaros ruídos,
Ora o áspero rumor de um calhau que se quebra,
Ora o surdo rumor de mármores partidos.
(Péricles Eugênio da Silva Ramos)

Vocabulário:
sobrecenho (semblante severo)
idílico (amoroso)
descante (canto)
anguiforme (que tem a forma de serpente)
Dante (grande poeta italiano renascentista, autor da Divina Comédia)
marcial (relativo à guerra)
Homero: poeta grego, a quem são atribuídas as principais epopéias da Grécia antiga: a Ilíada e a Odisséia.
Hemistíquio: a metade de um verso alexandrino (de doze sílabas métricas), e, por extensão, qualquer verso.
creba: repetida.
calhau: fragmento de rocha dura, pedra solta, seixo.

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