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Caso Mantega – Mentiras de Lula e hipóteses possíveis:

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Propinocracia petista tornou verossímil qualquer armação imaginável a seu favor

Por: Felipe Moura Brasil 23/09/2016 às 14:36



Lula e Mantega: o homem que nunca sabe de nada acusou a Lava Jato de saber de tudo

Lula disse em palanque na noite de quinta-feira (22) que os policiais federais que prenderam o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega pela manhã “entraram na sala de cirurgia do hospital”:

“A mulher dele está com câncer e estava esperando cirurgia”, bradou o chefão do PT para a militância do suposto partido, afetando indignação e vitimismo, como de costume.

Na verdade, os policiais não entraram nem sequer no hospital, como confirmou a assessoria do Albert Einstein à imprensa; e a mulher de Guido não esperava cirurgia, de acordo com o relato da própria filha dele, Marina Mantega, à rádio Jovem Pan.

“Eu não tinha a menor ideia (de) que ela tinha ido para o hospital e ninguém tinha me avisado. Na verdade, o que eu sei, até onde eu sei, (é que) ela foi fazer uma endoscopia. Não estava operando”, disse Marina, que não mora com o pai desde os 22 anos e hoje tem 35.

Endoscopia pode ajudar a localizar um tumor, mas é apenas um exame complementar ou terapêutico; e, embora Marina tenha saído de casa há 13 anos, seria de se esperar que o pai a informasse caso o quadro da mulher houvesse realmente se agravado, como tentaram fazer parecer o advogado de Lula e Guido, José Roberto Batochio, bem como Lula e demais petistas.

“Ela tem câncer, sim. Desde 2011 ela tem câncer, enfim, ela estava fazendo um procedimento”, explicou Marina.

Em maio, o empresário Eike Batista contou à Lava Jato como testemunha que Mantega lhe cobrou pessoalmente R$ 5 milhões no final de 2012, ou seja: mais de um ano depois do diagnóstico de câncer da mulher, o qual não o teria impedido de incorrer em ato criminoso investigado pela operação Arquivo X.

Trata-se aparentemente de um caso emblemático em que o câncer do cônjuge não impediu o crime, mas, sim, a prisão do suspeito, revogada generosamente (até demais) pelo juiz Sergio Moro cinco horas depois da ação policial, para que Mantega acompanhasse a mulher no Albert Einstein.

Tendo em vista que, por motivos operacionais em decorrência das Olimpíadas no Rio de Janeiro, a ação policial só ocorreu um mês após a decisão de Moro em agosto pela prisão temporária de Mantega (negando a preventiva pedida pelo Ministério Público Federal), a hipótese de que a informação possa ter vazado e chegado ao ex-ministro nesse longo período não deve ser descartada.

Considerando que Mantega foi com a mulher para o hospital às 4h30 da madrugada para realizar uma endoscopia, tampouco se deve descartar a hipótese de ter sido informado antes de que seria preso pela manhã – embora naturalmente possa alegar ter escolhido o horário menos movimentado para o exame em razão de ser uma pessoa conhecida já antes hostilizada até em hospital.

A informação de que Mantega só voltou ao Albert Einstein horas depois de ser solto, tendo passado antes em seu apartamento para fazer um levantamento do que a PF levou, também pode, em tese, indicar falta de urgência para acompanhá-la.

Dados os fatos e o espetáculo de vitimização feito a partir e a despeito deles, é inevitável especular – e recomendável investigar – se Mantega foi, no mínimo, orientado a estar com sua mulher no hospital no momento da prisão com o propósito deliberado (e, no fim das contas, bem-sucedido) de posar de vítima de uma falsa “desumanidade” da Lava Jato.

Para qualquer suposto ou real integrante da organização criminosa que assaltou o Brasil durante 14 anos, usar em segurança o tratamento hospitalar da doença alheia como escudo no momento de enfrentar as consequências por atos criminosos seria apenas uma encenação a mais, depois de milhares.

A propinocracia petista tornou verossímil qualquer armação imaginável a seu favor.

Lula, por exemplo, disse ainda que teve “pouca relação” com Eike durante o período em que foi presidente, mas a jornalista Malu Gaspar, autora de livro sobre o empresário, escreveu que Eike tratou o repasse no exterior aos marqueteiros do PT a pedido de Mantega (repasse que os procuradores acreditam ter sido feito para pagar dívidas da campanha de 2010 de Dilma Rousseff) como “dinheiro para o Lula”.

Ainda que fosse verdade que Lula pouco se relacionou com Eike, com quem aparece em várias fotos e em cujo jatinho gostava de pegar carona, é possível concluir que Lula nem precisava aprofundar a relação pois tinha Mantega para fazer o trabalho sujo em seu lugar.

A prisão do ex-ministro durante internação da mulher pode, sim, ter sido mera coincidência, como quis crer a Lava Jato, talvez prematuramente, e ela pode até ter passado por cirurgia depois (embora o hospital não dê informação sobre pacientes), mas é justamente por Mantega ser o peixe médio que pode levar os investigadores a fisgar de vez Lula e Dilma que, entre tantas outras razões, convém manter mil pés atrás com essa gente (e mil escutas, se legalmente possível) em vez de cair no mimimi e no trololó.

Como disse, ademais, o ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal:

“Observadas as restrições constitucionais quanto à inviolabilidade domiciliar, a prisão pode ser efetivada em qualquer lugar. Isso vem claramente estatuído no Código de Processo Penal”.

Como disse ainda o ministro Gilmar Mendes, do STF:

“Toda hora há prisão de pais, deixando os filhos. Isso (internação de cônjuge) não é motivo” para a revogação.

Moro deverá mandar Mantega de volta à cadeia em breve, mas, de fato, se todo suspeito de crime for solto porque a mulher foi internada, vai chover mulher de bandido nos hospitais deste país.

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[* Atualização: Marina Mantega corrigiu sua versão alegando que recebera a informação sobre endoscopia da empregada: “Meu pai não queria contar para o meu irmão, que tem 16 anos, que a mãe dele retiraria uma parte de um tumor novamente. Nem para a família, para nos acalmar.” O advogado de Guido Mantega garantiu que a mulher do ex-ministro passou por cirurgia e acusou de “má-fé” quem “explora” a confusão causada pela filha. Este blog registra ambas as alegações. Mas só acredita na Lava Jato.]

* Veja também sobre o caso:
Vídeo especial – Caixão do PT só tem coxinhas

Felipe Moura Brasil

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