way2themes

Cada país tem o “Top Top” que merece:

Por: | 21:17 Deixe um comentário
Blog compara casos de Marco Aurélio Garcia e do chefe de campanha de Hillary Clinton

Por: Felipe Moura Brasil
top top
Marco Aurélio “Top Top” Garcia e Bruno Gaspar; Hillary Clinton e John Podesta
Em julho de 2007, o petista Marco Aurélio Garcia foi flagrado fazendo um gesto obsceno enquanto assistia ao Jornal Nacional.
Batendo a palma de uma mão contra a outra mão, cerrada, o então assessor especial para assuntos internacionais da Presidência no governo Lula celebrou a notícia da descoberta de um defeito técnico no avião da TAM que, após a aterrissagem, ultrapassara os limites da pista do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, atravessara a avenida Washington Luís e colidira com o prédio da TAM Express e com um posto de gasolina da Shell.
A razão da celebração de Marco Aurélio “Top Top” Garcia, como ficou conhecido por aquele gesto, e do assessor Bruno Gaspar, que esticou os dois braços para a frente e depois trouxe os cotovelos em direção ao quadril, era que a notícia eximiria o governo federal de culpa no acidente que causou a morte de 199 pessoas, desviando o foco das investigações para o avião e a companhia aérea.
Em dezembro de 2015, John Podesta, chefe da campanha de Hillary Clinton à presidência dos Estados Unidos, lamentou em e-mail interno – vazado neste mês de outubro de 2016 pelo site Wikileaks – uma notícia dada pelo jornalista Christopher Hayes, da MSNBC.
Hayes escreveu em sua conta no Twitter: “NBC News relatando agora que um cidadão americano chamado Sayeed Farouk é supostamente uma das pessoas envolvidas no tiroteio.”
tuite hayes msnbc
Podesta comentou por e-mail: “Melhor se um cara chamado Sayeed Farouk estivesse relatando que um cara chamado Christopher Hayes fosse o atirador.”
Podesta
Ou seja: o lamento do chefe de campanha de Hillary era que um muçulmano, e não um homem branco, fosse o terrorista responsável pelo ataque em San Bernardino que matou 14 pessoas e feriu outras 21.
Uma das patentes razões do lamento é que a notícia confronta o discurso genérico de Hillary de que “muçulmanos são pessoas pacíficas e tolerantes que nada têm a ver com terrorismo” e reforça o do rival Donald Trump sobre a conivência da esquerda americana com o terror em nome do politicamente correto.
hillary tuite islam atualizado
Se “melhor” era o terrorista ser branco – como os “homens brancos odientos” que cantam em eventos pró-Trump segundo a descrição interna de outro membro da campanha de Hillary, Oren Shur –, é porque possivelmente o chefe de campanha faria também “Top Top” neste caso e, no mínimo, alegaria que todos cometem igualmente atos de terror, exatamente como o PT alega que todos roubam; e que nem por isso vamos interromper temporariamente a entrada de brancos nos EUA, como Trump propôs em relação aos muçulmanos oriundos de países afetados pelo terrorismo.
De qualquer modo, o fator comum que causa desgosto nas reações de Marco Aurélio Garcia e John Podesta é justamente a manifestação grosseira e rancorosa de preocupação com os próprios interesses políticos imediatos diante da morte de inocentes em circunstâncias terríveis.
Se o estoque de desgosto da imprensa não fosse inteiramente gasto com Trump, o grande público saberia melhor que cada país tem o “Top Top” que merece.
Felipe Moura Brasil

0 comentários:

Postar um comentário