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O mínimo que você precisa saber sobre o vexame da imprensa antes, durante e após a vitória de Trump:

Por: | 14:16 Deixe um comentário
Blog comenta comportamentos e motivos da cobertura mais histérica de todos os tempos

De volta ao Rio de Janeiro, passo a limpo a minha cobertura em tuitadas do vexame da imprensa antes, durante e após a vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos. Neste verdadeiro “diário”, há material de base para o desenvolvimento de um monte de artigos.
1) Relembro alguns dos comentários que fiz durante a contagem dos votos na noite de 8 e na madrugada de 9 de novembro:
– Neste momento, Trump vai vencendo principais swing-states e surtando “especialistas”. Aconteça o que acontecer: este momento não tem preço.
– Neste momento, todos os “especialistas” estão “surpresos”. Guardem este momento: é sempre assim. E em nada nos surpreende, não é, leitores?
– Muito generoso, aconselho: corre que ainda dá para apagar os posts descartando vitória de Trump com desdém. Notícia ruim: tenho os prints.
– Se jornalistas tivessem lido nosso best seller O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, não estariam buscando explicações.*
– Meu post antes da votação nos EUA: “Disputa acirrada confirma distância entre mídia e ‘povão'”. A votação só confirmou mais ainda. Obrigado.
– Quando eu mostrava as distorções das amostras das pesquisas, onde estavam os jornalistas que agora observam que elas estavam erradas?
– Washington Post: “Trump supera em áreas de maioria branca, e Hillary falha em mobilizar minorias”. Tiveram preguiça de votar na trapaceira.
– Mais um pouco e PT e PSOL já podem ensinar democratas a invadir escolas e Dilma já pode convidar Hillary para andar de bike em Ipanema.
Trump vence
2) Tuitadas pós-resultado (de 9 a 14 de novembro):
– “Trump surpreende”, “Brexit surpreende”, “Aécio surpreende e passa ao segundo turno” (2014). Imprensa sempre surpresa… porque fora da realidade.
– Da série “Fontes de informação da imprensa brasileira” (risos):
Huff Post
O jornal Huffington Post dava 98,1% de chances de vitória a Hillary. Ah, aquele 1 e pouco por cento…
– Indicador do New York Times de chances de vitória foi de 80% para Hillary antes da apuração a 95% para Trump durante a contagem. Imagem histórica.
NYT chances correto
– Sou a favor de que 9 de novembro vire o dia internacional da “zuera”.
Dilma Hillary
– Imprensa fez 2 anos de bullying disfarçado de noticiário. Eis agora o momento em que o menino gordinho faz o valentão pagar mico no pátio.
– Trump: “Uau, o New York Times está perdendo milhares de assinantes por causa de sua cobertura muito pobre e muito imprecisa do ‘fenômeno Trump’.”
– Trump: “Os debates, especialmente o segundo e o terceiro, bem como os discursos e a intensidade dos grandes comícios, além de NOSSOS GRANDES APOIADORES, nos deram a vitória!”
– Para imprensa brasileira, como digo há anos, não há mais direita no mundo. Só ” extrema direita”. Com Trump então… Só a “extrema” celebra.
– Eis o estágio atual (em inglês) das previsões da imprensa:
Previsoes atualizadas
– Silas Malafaia aponta este blog como exceção na cobertura da eleição americana e zomba da surpresa de esquerdistas:
Malafaia FMB
– Marco Feliciano me parabeniza em discurso na Câmara por ter sido o jornalista da grande mídia a mostrar que vitória de Trump seria natural.
– “Retrocesso” é, com frequência, o termo usado para demonizar uma posição contrária, sem refutar a argumentação dos críticos da sua própria.
– Exemplo: Jornalistas que nunca refutaram climatologistas como Ricardo Augusto Felício chamam de “retrocesso” de Trump desprezar “aquecimento global”.
– Nigel Farage: “Brexit era sobre pessoas comuns se levantando para derrotar o estabelecimento e agora vimos o mesmo acontecer nos EUA.”
– Matt Walsh: “1944: homens de 18 anos atacam as praias da Normandia [ocupada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial]. 2016: Millenials [jovens americanos] passam 2 dias chorando abertamente porque estão tristes com vitória de Trump.”
– Lidem com isso.
– Xingar Trump e seus eleitores virou “análise”. Jornais já podem publicar gritos de torcida no Maracanã e escrever em cima “análise” também.
– A ordem é essa: distorcem-se declarações originais, rotula-se o adversário com base nas distorções e logo rótulos são tidos como argumentos.
– Alheia aos fatos, imprensa ainda insiste em incluir nas listas de “escândalos” de Trump a mentira de que ele zombou da deficiência de um repórter. Farsa desmontada em vídeo deste blog:
– Relembro o que escrevi em 10 de outubro:
“(…) É mentira, por exemplo, que Trump ridicularizou a deficiência de um repórter. Eu refutei essa mentira em vídeo. Acontece que mentiras infamantes, quando as pessoas nelas acreditam, têm o efeito de torná-las predispostas a ver o sujeito com maus olhos e a interpretar qualquer fala ou ato seus da pior maneira.
Isto é da psique humana e, quando ocorre na vida íntima, às vezes só boa terapia consegue fazer com que a pessoa seja capaz de rever os fatos novamente sem tal predisposição negativa. Muitas, mesmo informadas de que acreditaram em engodo, são incapazes de rever o ódio que o engodo alimentou.
A demonização política é calculada justamente para criar essa repulsa emocional automática que prescinda de maiores razões objetivas e sobreviva até mesmo às provas cabais de qualquer refutação, de preferência tornando dispensável a própria necessidade de examinar as qualidades da concorrência. (…)”
– Matéria do site de Época: “A mídia militante que ajudou a eleger Donald Trump”. Meu compadre Alexandre Borges comenta: “99% da imprensa apoiou Hillary e a culpa é do 1% que não se vendeu. Boa sorte com essa tese.”
– Subtítulo da matéria de Época: “A tentativa da mídia tradicional nos Estados Unidos de cobrir a campanha com fatos e ponderação não funcionou.” Risos. “Uma mídia militante e paranoica estimulou os eleitores de Trump”. É a quase absoluta inversão da realidade.
– Mesma mídia que não distingue imigração ilegal e legal se recusa a distinguir militância midiática partidária e aquela em defesa da verdade.
– Frase na capa da Época “Ninguém imaginava que Donald Trump pudesse ganhar” mostra como o jornalismo brasileiro vive na bolha da imprensa de esquerda.
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– Não sei o que é mais feio: justificar o erro fingindo que todos erraram, ou não se informar sobre os acertos alheios mesmo após o erro.
– Como queríamos demonstrar em 23 de janeiro de 2016:
antipetismo nao imuniza
– Este blog mostrou durante a campanha que até o notório militante de esquerda Michael Moore considerava a vitória de Trump. Agora, quando muito, ele é o único citado na mídia, que prefere fingir que a direita não existe.
– Reduzir tudo a um “Fla-Flu” é como jornalistas torcedores tentam rebaixar ao seu nível os que se atêm aos fatos, a despeito de preferências.
– Não é culpa minha se, em vez de exame de consciência e autocrítica, boa parte dos jornalistas torcedores humilhados pelos fatos prefere redobrar rancor.
– O sujeito abaixo parece um membro dos Institutos que deram vitória a Hillary. O fato: ganhei dezenas de milhares de seguidores fazendo cobertura verdadeira.
hillary idiota
– Em vídeo, Jair Bolsonaro introduz editorial do programa de Bill O’Reilly na Fox News em que o apresentador lista os podres da esquerda americana como razões para votos em Trump. “Qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência”, diz Bolsonaro.
– Todos os podres listados no vídeo acima foram esmiuçados e denunciados neste blog antes e durante a corrida presidencial, inclusive com as devidas comparações pontuais com a esquerda brasileira.
– Em relação às comparações pontuais, relembro, por exemplo, meu artigo de julho sobre Hillary e Dilma, que vale a pena ser relido à luz da vitória de Trump: AQUI.
– Relembro a introdução do referido artigo:
“Toda comparação entre esquerdas brasileira e americana é recebida com a patrulha da proibição de comparar, exercida por brasileiros que – monoglotas e/ou informados exclusivamente pela imprensa nacional – desconhecem as práticas da esquerda americana, esmiuçadas em vasta bibliografia que, em sua faceta mais contemporânea, vai desde a fonte intelectual em ‘Pensadores da nova esquerda’, do filósofo inglês Roger Scruton, até ‘O livro negro da esquerda americana’, de David Horowitz, passando pela obra de Dennis Prager, Thomas Sowell, Ann Coulter, Mark Levin, Bill O’Reilly, Sean Hannity, Ben Shapiro, Larry Elder, os irmãos David e Rush Limbaugh, e outras dezenas de autores. (…)”
– Mercado avalia eleição com base principalmente em um único elemento: a suposta previsibilidade do cenário econômico. Ignora todos os demais fatores.
– Obviamente, meu julgamento sobre o que é melhor ou pior, seja para EUA, Brasil ou mundo, envolve muito mais fatores que avaliação (e oscilação) de mercado.
– Não há problema algum em comemorar efetivação do “mal menor”, que poderá se mostrar um bem. Medir males só por um parâmetro é que dá tristeza.
– New York Post: Hillary culpa diretor do FBI por sua derrota. Como queríamos demonstrar em 1º de novembro:
esquerda panico culpa
– Eleitora de Trump sugere aos esquerdistas que estão de mimimi que se mandem para o Canadá.
– Ann Coulter ironiza: “A última ideia da grande mídia! Presidência de Trump terá sucesso espetacular… se ele simplesmente abandonar todos os seus eleitores e tudo aquilo pelo qual eles votaram.”
– Ann Coulter, que lançou durante a corrida presidencial o livro “Em Trump, nós acreditamos”, foi alvo de risadas da plateia do programa do apresentador militante de esquerda Bill Maher quando, ainda nas primárias, disse que Trump era o republicano com mais chances de vencer Hillary. Jamais esqueça esta cena:
– A imprensa americana e brasileira se comportou o tempo inteiro como a plateia de Bill Maher: ridicularizando a verdade, (porque) vinda da direita.
– A propósito: combato pessoas só quando necessário. De resto, combato comportamentos e teses, às vezes adotados e espalhadas até por gente ademais brilhante, com quem aprendo muito.
– Lamento que equívocos pontuais alheios resultem em ataques nominais desmedidos. Nem todo vício é má-fé e ideologia. Convém tentar ser justo.
– Resisto bravamente a exibir aqui todos os prints que tenho de jornalistas afetando superioridade com previsões erradas. Mas aviso aos reincidentes: minha generosidade tem limites.
– Não me incomoda o reconhecimento a autores que dizem agora o que escrevi antes da vitória de Trump. Eu entendo a concorrência e me divirto.
– A engenharia de obra pronta é a maior especialidade dos nossos “especialistas”.
– Do leitor Matheus Sampaio: “Eles podem ter o reconhecimento de pessoas iguais a eles. Você tem o de pessoas de verdade, gente de bem. Parabéns!”
– Yuri Vieira: “Trump é uma pedra de toque: graças a ele podemos distinguir claramente os falsos jornalistas dos verdadeiros.”
– Em tempo de “especialistas” humilhados pelos fatos, relembro Thomas Sowell na obra-prima de 2010, Os intelectuais e a sociedade:
“Os especialistas de qualquer área intelectual são exemplos clássicos de pessoas cujo alto conhecimento está concentrado dentro de uma margem estreita, a partir de um vasto espectro de preocupações humanas. Além do mais, a interação inevitável entre inúmeros fatores do mundo real significa que, mesmo dentro dessa margem estreita, fatores que chegam de fora da margem podem interferir nos resultados de uma forma significativa, transformando um especialista, cuja especialização não abrange esses outros fatores, num amador. Tal realidade é fundamental quando se trata de decisões que terão consequências de peso, mesmo dentro do que é normalmente considerado o campo de especialidade do especialista” (p. 47).
– Abismo entre mídia e realidade é um dos temas mais importantes do mundo, em especial do Brasil, onde ideologia prevalece a fatos e talentos.
– Para gente incapaz de distinguir derrota e mudança de comportamento a partir da assimilação de suas razões, é natural dizer “chega desse assunto”.
– Vitória intelectual particular, por si, não se transmuta em saneamento dos meios culturais sem exposição dos vícios destes, mesmo na derrota.
– Cobrar mudança de assunto quando eleição mais importante do mundo PROVA abismo entre mídia e realidade é incompreensão ou defesa do abismo.
– A quem reduz saneamento cultural a questão de ego, cito Olavo: “Cada analfabeto funcional que encontrei nesta vida imaginava ser o dr. Freud em pessoa.”
– Enquanto os autodeclarados tolerantes da mídia ignorarem ou negarem qualquer verdade que venha da direita, seguirão errando e pagando mico.
* 3) Relembro trechos do nosso best seller perfeitamente aplicáveis à cobertura da eleição americana pela mídia dos EUA e do Brasil:
Olavo de Carvalho, 9 de janeiro de 2011:
“O que no Brasil se chama de ‘noticiário internacional’ consiste em repetir, ampliando-as e radicalizando-as, as mentiras mais cínicas da mídia esquerdista norte-americana, com a certeza tranquilizante de não ter de enfrentar, como ela, a enérgica reação conservadora de metade da população, que só ouve rádio e não acredita numa só palavra dos jornais e da TV.
É, a vida da mídia chapa branca, nos EUA, não é fácil como a da sua confrade brasileira: aos domingos, oNew York Times tira um milhão de exemplares – a trigésima parte do número de ouvintes de Rush Limbaugh, o radialista conservador que a família Sulzberger adora odiar.
No Brasil há um clone do NYT, que é a Folha de S. Paulo, mas as estações de rádio, concessões federais, estão bem defendidas contra a mera possibilidade de ali surgir um Rush Limbaugh. Contra a farsa geral da mídia, só nos resta resmungar em blogs ou, com mais sorte, neste Diário do Comércio. O resto é silêncio – ora indignado e impotente, ora temeroso e servil.
Nos EUA, quanto mais perde público, mais o establishment jornalístico apela a recursos de difamação histérica que o próprio Dr. Joseph Goebbels consideraria, talvez, um tanto grosseiros demais para persuadir um público adulto.
Um desses expedientes é cobrir de invectivas odiosas os personagens que se pretende rotular de odientos. Não é preciso, para sustentar o ataque, citar um só apelo de ódio que tenha saído da boca da vítima. Não é preciso nem mesmo torcer suas palavras, dando um sentido odiento ao que não tem nenhum.
Ao contrário: basta espumar de ódio contra a criatura, e fica provado – espera-se – que odienta é ela. Tudo é feito na expectativa insana de que o automatismo mental do público o induza a sentir que pessoas que despertam tanto ódio devem ter ainda mais ódio no coração do que os jornalistas que as odeiam.
Há sempre uma faixa de militantes estudantis e ativistas ongueiros que, por infalível instinto colaboracionista, finge acreditar na coisa, reforçando o ataque com insultos escatológicos e ameaças de morte, de modo que a violência crua despejada sobre o alvo inerme acabe por se mesclar tão intimamente à sua imagem que pareça provir dele.
(…)
“Também é claro que nos EUA ninguém lê a imprensa brasileira: a vida dos nossos jornalistas consiste em fingir para si mesmos que são forças auxiliares da esquerda americana, a qual nem sabe da existência deles. (…)”
Olavo de Carvalho, 7 de novembro de 2005:
“O advento da internet multiplicou de tal maneira as fontes de dados ao alcance do público, que para o estudioso capaz de tirar proveito delas – um tipo raro, admito –, a experiência rotineira de ler os jornais ou ver os noticiários de TV se tornou uma lição de psicopatologia social, a medição diária da distância entre a realidade e o universo subjetivo dos ‘formadores de opinião’, incluídos nisto não só os jornalistas, é claro, mas o conjunto dos indivíduos e grupos que eles costumam ouvir: políticos, líderes empresariais, professores universitários, gente do show business etc.
(…)
O homem medíocre não acredita no que vê, mas no que aprende a dizer.  
A premissa geral que fundamenta a tremenda autoridade das ‘classes falantes’ – como as chamava Pierre Bourdieu – é que, pela lei das probabilidades, dificilmente algo de muito relevante pode escapar aos olhos de lince das parcelas supostamente mais esclarecidas da população. O problema é que estas acreditam na mesma premissa, e portanto só recebem informações do seu mesmo círculo, ignorando tudo o mais e imaginando que sabem tudo. Toda verdade relativa, quando se torna crença geral, acaba se revestindo de um sentimento de certeza absoluta que a transforma, quase que automaticamente, em erro mais que relativo.
Um mínimo indispensável de prudência recomendaria a essas pessoas duvidar um pouco das suas crenças grupais e tentar dar uma espiada no subsolo da conversação dominante, nas zonas mais humildes da realidade, onde germinam as sementes do futuro. Toda gestação é envolta em sombras. Quem só olha para onde todo mundo olha condena-se a ignorar poderosas forças históricas que estão subindo desde as profundezas neste mesmo momento e que arriscam, de uma hora para outra, irromper no palco destruindo brutalmente o sentido usual do espetáculo.”
4) Vídeos educativos da Prager University sobre dois temas ligados a este post:
– “Podemos confiar na imprensa?”
– “Como funciona o voto através do Colégio Eleitoral”
* Assista também à entrevista que dei a Silvio Grimaldo no programa “Sem Edição”, da TVeja, sobre o vexame da imprensa e outras coisas mais: AQUI.
Felipe Moura Brasil

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