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As Paixões e a Cidade:

Por: | 10:44 Deixe um comentário
Mesmo a aula mais "simples", levo todo material possível, faço as ligações necessárias de assunto, uso todo recurso mental e formas diferentes de expor para que o aluno entenda o assunto. Daí, ele interessado ou sem atenção não modifica meu sentimento de lecionar. Faço por profissão, sim, porém antes eu tenho convicção do quão útil é o conhecimento. Assumo mais que um papel, acredito no que digo e lanço ao ouvinte na esperança de que aprenda.

O interesse dos poderes executivo e legislativo, do empresariado ou de particulares neste período, em patrocinar as paixões (há, pelo menos, duas, uma realizada por Felipe Barros e outra feita por Edna Braga) tem lá seus motivos, do mecenato à exibição, do agrado pessoal ao afago interesseiro à população. É preciso observar quais são pretensões e não se deixar enrolar.

Há algo além que me parece prioritário, volto-me a quem se apresenta: a aparência sem a consistência. O externo sem conteúdo, talvez um arremedo dos "grandes artistas", que dão entrevista tratando sua personagem dissociada da pessoa (é apenas mais uma roupagem). Fazer teatro com qualquer outra temática pode justificar essa atitude, mas não a reprodução de uma história superior, a da Humanidade recebendo Deus encarnado, convivendo e comungando com o amor maior, ágape.

Então, perguntando-se quanto à internalização de quem se representa, é só um periódico papel anual ou se quer mostrar o mais verossímil possível? Estamos tão rodeados da mesmice humana reproduzida pela narrativa hegemônica esquerdista, que ouvir um lobo falar como cordeiro não espanta (tanto) mais.

É como dar mais ênfase à bacanal de Herodes que o encontro de Jesus com a adúltera; é mais esmerar-se na estrutura do pretório de Pilatos que na manjedoura com o Salvador. Se acha que exagero, observe nesta semana.

Não desconheço que o evento é uma iniciativa cultural importante e a apoio, portanto é preciso ser melhor por dentro. Desejar e realizar melhor, torna melhor o feito. É pela busca, orientação de um supremo bem (Mário ferreira dos Santos), finalidade da existência. Desta forma não é mais uma paixão, mas A Paixão - Cristo.

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