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Coelhos, pedagogas e teimosos:

Por: | 21:44 Deixe um comentário
(Este é o pika-de-ili, chinês e raro)

Meu primeiro conflito (algo) consciente entre vontade e obrigação no jardim de infância. 
Período de Páscoa no calendário anual e as professorinhas (expressão carinhosa, não pejorativa) esforçando-se para produzir talentos em sala. Naquela turminha de alfabetização fora organizado um varal que serviria à exposição da meninada. Desenhos pendurados à apreciação de pais e as crianças, discutindo qual era o mais bonito e contando com a simpatia da professora. 

O momento que foram distribuídas as folhas cheirando a álcool (mimeografadas) com os desenhos dos coelhinhos, todos por pintar, foi um frisson. Cada qual separando seus lápis de cor e querendo começar, porém era preciso esperar o aviso da tia, então ela expôs um modelo. Um coelho...

Amarelo! Eu nunca vira um, real com tal cor! Você já viu um naturalmente com essa cor? Os únicos coelhinhos que já vira com essa tonalidade eram os encardidos, sujos, quer dizer, algo forçado pela falta de higiene do bichinho. 





Guiado por algum tipo de percepção da realidade (e teimosia), resolvi contrariar a orientação da mestra e pintei o meu...

Puxa, a professora Simone  ficou espantada, retirou meu desenho, trocando por outro a ser pintado e arrematou: - Seu coelho tem que ser amarelo!

Matutei um pouco e fiz nova pintura...


Franzindo a testa e quase não acreditando no que eu havia feito, novo desenho a ser pintado: - Dessa vez, faça amarelo!
Eu, calado ouvi e calado fiz a pintura...

Ela, vendo a terceira teima, questionou: - Por que você está pintando um coelho marrom?
- Por que eu já vi um marrom. Respondi.
- Mas eu quero que você pinte um amarelo para ficar bonito! 

A argumentação não havia funcionado, porém, não querendo frustrar aquela que eu admirava, apesar da forçação dela, concordei...

O cheiro compensador em minha cabeça deixou minha birra (ou certeza) para lá. Mas continuo pensando no meu marronzinho.





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