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Escolhas e resultados:

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Por Bruna Luiza:

Qual foi o seu pior erro? Qual decisão você gostaria de voltar no tempo para mudar?

Todos os dias são feitos de escolhas. Levantar da cama quando o despertador toca, ou deixar mais cinco minutinhos de soneca? Café ou chá? Qual roupa usar? Qual caminho tomar?

Algumas decisões, no entanto, aparecem com seriedade flagrante, feito aqueles agentes do FBI de terno e tom fúnebre que batem na porta das pessoas nos filmes americanos. Essas decisões chegam portando um aviso em mãos: sua vida vai mudar a partir de mim.

Ao nos depararmos com decisões assim, temos que agir com prudência. Mas nem sempre entendemos a gravidade do que está acontecendo, e acabamos escolhendo a resposta de modo impensado, sem refletir, sem considerar todos os envolvidos, sem avaliar os riscos, sem entender o contexto, e, especialmente, sem meditar nas consequências do que virá a partir daquele momento.

Às vezes, podemos fazer todo esse processo contemplativo e, ainda assim, fazer a escolha errada. A vida tem dessas imprevisibilidades. Mas as chances diminuem quando se age com prudência, pensando nos vários fatos que estão envolvidos nesse momento e o que se desenrolará a partir dele.

Uma amizade terminada. Um pedido de demissão. Uma nova chance para o relacionamento antigo. Uma mudança de cidade. Um voto. São decisões que se concretizam em um "sim" ou "não", mas que mudam vidas. E, como temos visto de uns tempos pra cá, as consequências podem ser tão desastrosas que geram acontecimentos bizarros como, de repente, dois impeachment no mesmo governo.

No dia após a última eleição presidencial, me lembro de ir para o trabalho e passar pela Esplanada. Meus olhos mareados olhando para os prédios dos Ministérios e Congresso. A clara sensação de que havia analisado tudo com cuidado e ainda assim a escolha resultante não era a minha, que não tínhamos saída, o desenrolar das consequências seria muito ruim para o meu país.

Na época já era evidente a crise que chegava mesmo com as contas do governo maquiadas, as campanhas feitas com dinheiro sujo, uma Presidente que não dava conta de enganar mais nem os próprios petistas. Não à toa previ nesse mesmo dia que o impeachment dela aconteceria e Michel Temer governaria. Isso logo se confirmou, e agora vemos mais um.

A tristeza que acompanha as escolhas erradas dói. O arrependimento pesa. E às vezes, quando pensamos que o pior já passou, mais um fato se desenrola por causa daquela decisão e vem confundir a vida. Mas não podemos, infelizmente, voltar no tempo e corrigir as coisas. Só nos resta aprender com os erros e nos perguntarmos como tomar decisões mais sábias dali em diante.

Esse processo de reflexão é dolorido, demorado, e desconfortável, mas é o único que gera mudanças de verdade em quem somos. Se uma vida leva nove meses para ser gerada no ventre da mãe, como podemos esperar um novo eu de uma hora pra a outra, sem esforço, sem dor? E por que esperamos esse nascimento milagroso e indolor de um novo país, então?

Se nem mesmo um indivíduo consegue mudar drasticamente para melhor de modo rápido e indolor, é evidente também que um país não conseguiria. Uma nação nada mais é do que um conjunto de indivíduos, a soma dos nossos esforços individuais. Devemos ser pacientes e resignados com esse sofrimento, para que desse parto nasça algo novo e bom.

Fazer piadas com a nossa desgraça anestesia um pouco a tristeza disso tudo, mas talvez precisemos dessa tristeza. Talvez precisemos desse horror, desse nó na garganta do país diante das escolhas erradas. Talvez esse choque seja necessário para que percebamos quem bate à porta: uma decisão em tom fúnebre que pergunta se iremos ignorar os problemas, seguir como estamos, e deixar nosso país apodrecer, ou lutar para reformar a cultura do país, começando por nós mesmos, para que a soma das nossas individualidades produza um cenário melhor? Um cenário onde não tenhamos que lidar com escolhas entre "os menos piores". Um cenário onde dados falsos e marqueteiros não sejam mais capazes de definir eleições, e sim valores e princípios. É uma mudança profunda, que levará tempo, mas gerará nova vida a mim, a você, e ao nosso país.

Que as nossas consciências nos ajudem a refletir e entristecer diante do que vivemos hoje, para que das reflexões nasça um novo Brasil.

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