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Junho, forró e a sopa de pedras, ou, o ator principal relegado a coadjuvante:

Por: | 14:41 Deixe um comentário
  
    Não é um texto politicamente correto (o politicamente correto é mais uma maldição ideológica, imprecação à melhor cultura), como outros anteriores, portanto a honestidade intelecto-cultural antecipada aqui oferece-lhe a alternativa de continuar a leitura, ou abandonar o escrito.
    Continua? Então sigo:
    Quando garoto, ouvia constantemente a tal historinha da sopa de pedras, na qual um homem esperto batia em várias portas de residências pedindo ingredientes para ajudar a confeccionar a refeição. Quem o ouvia, duvidava da sopa, o qual era desafiado pelo espertalhão: - Se você me der X ingrediente, eu provo que faço. A pessoa, curiosa, entregava o que era pedido. E assim, indo de casa em casa, todos os produtos para uma saudável e deliciosa sopa eram arrecadados. Por fim, o indivíduo colocava tudo no fogo, cozia e quando finalizada a fervura, retirava as pedras e tomava. Qualquer mínimo inteligente vê que a operação contada é enganosa.
    Como declarou Santana, o Cantador, na entrevista de hoje a jornalismo local, pernambucano: "Somos coadjuvantes". Ele e demais forrozeiros, representantes do ritmo original, local, cultural nordestino e da época, o forró, assim como xote, xaxado e baião dividem espaço com sub-ritmos (inferiores, mesmo), xenorritmos (que nada representam o período), mudando enfaticamente a percepção de um passado não mais ricamente revivido de forma musical. Sim, ainda tocam-se aqui e acolá os originais, "de fábrica" Luiz Gonzaga, Zé Dantas, Humberto Teixeira, Marinês, Jorge de Altinho, Dominguinhos, Trio Nordestino, Genival Lacerda, Jackson do Pandeiro, Sivuca, Petrúcio Amorim, Elba Ramalho, Flávio José, Maciel Melo, Alcymar Monteiro... A lista é realmente abrangente! Não é por falta de pessoas. É oportunismo.
    Não se pode colocar de maneira igual, em eventos patrocinados por governos (que deveriam ajudar a guardar e preservar a cultura) o que é melhor com o que claramente percebe-se ser enviesado melódico. Então, alguma pessoa "ingênua" questionará: Mas o povo gosta disso, porque não? Faço outro questionamento? Quem deu mais ênfase a quê?
    "Coisadões" (cheios de "ãos"), funks, bregas e tutti quanti têm seus espaços, adeptos e independem de período para encarnar sua essência. É essa invasão que empobrece a cultura do xote, dilui o baião e desvia do forró, enricando aproveitadores e apoiando-se no que não é seu.

Só um tico da capa e conteúdo da riqueza:

Luiz Gonzaga, a enciclopédia do forró e Elba Ramalho:
Jackson do Pandeiro:
Petrúcio Amorim:

Para acabar com essa safadeza, sem-vergonhice e "viralatismo".

Imagem: aba_forro-para-todos

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